@donalilian

Sobre saudade.

Quando eu sinto saudade, é sempre de coisas pequenas. De momentos que pra outras pessoas pode não fazer o menor sentido.

É o meu velho problema de memória: ela falha quando eu faço de conta que posso pegar fatos GIGANTES e citar, mas funciona que é uma beleza nos mínimos detalhes. E então é nisso que eu me prendo.

A falta que faz é do detalhe: do jeito de pedir o sanduíche, do sorriso antes de dormir, do jeito de ajeitar as pernas pra andar. Das pequenas expressões, do vocabulário. Da manha quando acorda, do jeito que dorme sem perceber. Dos olhares de reprovação, do tom indignado, da surpresa, do brilho nos olhos de criança.

Penso nos abraços demorados, e na promessa na sala da casa, de noite, de madrugada. Lugar onde quase ano depois, eu quase me decidi ir embora de vez porque não sabia mais lidar com as coisas se desacertando.

Sinto uma falta imensa de ficar olhando dormir. Você não sabe, mas muitas vezes acabou dormindo antes e eu gastava as noites de insônia em ver as expressões mais queridas do mundo.

Eu digo que nunca fui boa fisionomista, mas acho que no fim das contas eu só queria mentir pra mim do quanto eu me lembraria do seu rosto em todas as expressões e ocasiões. Sempre usei isso de desculpa pra poder te fotografar em paz.

Hoje gosto de rever as fotos e lembrar exatamente do porque foram tiradas, do que você estava fazendo quando sorriu sem perceber. Mais do que os lábios, eram os olhos sorrindo que eu queria guardar, pra quando eu precisasse amenizar a falta que isso faria pessoalmente.

Você faz falta. Muita.

 




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