Latest on twitter:

Eu sou do tipo que assume as coisas. Se fosse gay, sairia do armário. Certeza.
Porque assumo que amo, que odeio, e sem dúvida alguma semrpe arrumo grandes amigos ou ferrenhos inimigos por este ou aquele motivo.
Eu sempre acreditei em heróis. Não no Super Homem, ou no Aranha, ou em algum daqueles que eu lia em gibi quando era pequena. Herói é o cara que mudou a minha vida, que me faz ver o mundo de outra forma.
E com as minahs “assumições”, sempre me resolvi bem com preconceitos. É difícil quando você não consegue conter a repulsa por alguma coisa. E desse jeito, formei algumas barreiras intransponíveis. Primeiro porque alguém me tratou mal por este ou aquele motivo, depois por conceitos errados que eu trouxe de exemplos ruins. Assumir os preconceitos era um jeito de entender porque é que eu não conseguia gostar das coisas.
Não que eu tivesse orgulho de ser preconceituosa. Sempre tive vergonha. Mas era o tipo de coisa que não dava pra esconder.
E desse jeito eu percebi meus primeiros heróis. Nunca gostei de japonês. Japoneses ferraram minha vida enormemente, zoaram minha saúde.Por que gostar de um povo que sai duma ilha pra vir pra cá falar japonês, escrever japonês, ler japonês, pensar japonês? Não dá. Gosta tanto assim, por que sai do Japão? Daí eu não sei, não entendo, tenho birra da cultura, das pessoas.
Até o dia que a sra. Condessa de Hamamatsu cruza a minha vida, de barrigão, do outro lado do mundo. E nasce dela um menininho de olhos puxados, a coisa mais linda e que me derreteu completamente com jeitinho inteligente, coisas que fariam rir o mais sério dos mortais. E aí vem a dona moça que gosta de Hello Kitty, e que fala de direitos na Internet, das longas covnersas no Jabaquara. Pra Doduti, pro Lucas e pra Marcinha, meus 3 heróis de mangá, eu devo o fato de não ter mais calafrios quando passo pela Liberdade.
E eu sempre penso que pai solteiro não é presente, e que não presta. Daí chega o Ivan Neto, todo dengos com a Jade, e o Rogério Cerqueira, amigo querido e corajoso que cria sozinho (já que a mãe dele faleceu há alguns anos) as duas filhas, além de trabalhar fora pra se sustentar. Pra eles, meus sinceros agradecimentos por provarem que existem homens legais, bons pais, independente de casamentos que não sei se acabaram ou se nunca existiram.
Sempre achei também que menina que engravida cedo é irresponsável, burra e não sabe cuidar dos filhos que tem, empurrando a responsabilidade pra vó. Daí vem a Bia Gaeta, a Borbolla e a Lelê me mostrar que existem super mães que passaram por essa fase mais cedo que eu poderia julgar ideal.
Não gostava de nordestino, e daí me aparece Vanessa Gomes, a Denise, Yuri, Java (que casou e levou minha irmã pra longe e vai me dar uma sobrinha Mossoroense!), Eduardo Aguiar e Edinho, que são divertidos, queridos, indispensáveis.
Sempre achei que gente nova demais não tinha nada a me acrescentar. Aí me aparecem Filipe Kiss, Luigi Lol (hahaha), Lucas, Igor, que são de uma inteligência incrível, e companhia frequente de cafés e piadas.
E daí em diante eu acho que deixo de ser besta. Deixo de tentar adivinhar que tipo de gente uma pessoa pode ser porque é de um modo ou de outro. Sei que preconceitos são parâmetros (embora negativos) que a gente usa pra tentar conviver em sociedade. Parâmetros dos quais estou tentando me livrar, pro meu bem estar.
Provavelmente essas pessoas, e outras que eu achei de cara que não ia gostar e que hoje não sei imaginar a vida sem, provavelmente nunca vão sair em jornal pelos feitos que eu admiro. Nunca terão seus bustos esculpidos em bronze, nem tampouco serão eternizados na Academia Brasileira de Letras. Mas talvez mesmo sem saber, mudaram a minha vida, os meus conceitos, e me tornaram uma pessoa um pouco melhor. E por estes pequenos grandes motivos, eu guardo aqui comigo um tanto de gratidão que não sei muito bem de que forma demonstrar.
É engraçado como as coisas são meio coincidentes. E daí que quando eu me senti mais sem rumo na vida, fui assaltada e levaram todos os meus documentos. Levaram a bolsa, alguns objetos queridos, uns pedaços de coisas boas que haviam sobrado, outros de coisas que eu ainda estava começando a construir.
Claro que na hora, eu não dei falta de nada. Levou mais de hora até que eu lembrasse, um a um, de cada elemento querido daquela bolsa. E depois, acharam tudo de volta: a bolsa e os documentos. As outras coisas se foram, talvez pelas mãos do assaltante, talvez tombadas na hora de se livrar da “prova do crime”.
Foi bom reaver os documentos. Seria uma tremenda dor de cabeça refazer tudo aquilo, principalmente porque eu estava com tudo original rpa um emprego que havia acabado de arranjar: CPF, RG, título de eleitor, carteira de trabalho. Em compensação, o RG não adiantava muito. Depois do BO, a data de emissão é cancelada e você precisa tirar outra via. Seria a minha terceira, porque perdi a primeira na minha mania de colocar as coisas nos bolsos da calça.
Seria, se não fosse a preguiça de acordar cedo, e ir lá no Poupatempo da Sé, pegar aquela fila, ver aquelas pessoas feias, chatas e reclamonas. E o tempo foi passando, as coisas foram tomando um rumo absolutamente estranho e inusitado; fui desleixando de aparência, descuidando de gostos, de hábitos, de contatos com amigos. Por preguiça de procurar, de falar, de ouvir, de saber.
Agora, um estalo contra o comodismo, uma saudade súbita do mundo, das coisas, das escolhas conscientes. E aí eu lembrei do RG, do ano que passou, da música que eu gostava, do livro que eu costumava reler. Essas coisas todas que já não combinam mais comigo, não são mais a coisa que eu costumava chamar de identidade, de eu.
São novos amigos, novos assuntos, outro amor. Talvez aquela que perdeu a bolsa era a menina fibra do papel do RG de hoje. Alguma coisa daquilo ainda está aqui, mas ninguém vê, ninguém percebe, muito menos eu. Chegou o tempo em que eu quero imprimir de novo uma outra de mim: quem sabe como? Outro cabelo, outro óculos, ou mesmo sem nenhuma armação.
As cores serão outras, com outras nuances. Mais leves, mais claras. E embora a música seja diferente, continuo cantando por onde passo, no ponto de ônibus, na rodoviária, até no avião. Vai ver essa é a tal base de mim, a segunda via daquela moça com sorriso de menina e olhos de dona.
Que seja doce, que seja doce, que seja doce…repito sete vezes, todas as manhãs, desde aquele dia. Porque é assim que recomenda C.F.A. E é como um mantra que adça aqueles momentos breves enttre o abrir os olhos e acordar. Momentos que dedico exclusivaemnte pra lembrar da voz, do beijo de bom dia, dos olhos que ficam acinzentados logo que ele acorda.
Não há nada que possa ser estragado, quando me dizem que as coisas não duram pra sempre. Nem eu hei de durar, mas a exata sensação daquele instante em que a barreira do eu-não-posso-porque-somos-amigos há de ser pra toda a vida igual.
A mesma sensação do pedido de namoro, de quando tive a aliança que escolhemos colocada na minha mão, que só foi experimentada novamente hoje quando entrei no café e vi um vaso de margaridas na mesa. Amarelas, em papel amarelo, cartão com a letra querida que eu conheci lendo eu-te-amo. Escrevo provavelmente porque sei que a memória falha e talvez eu me esqueça do dia ecato, embora não da sensação.
Quando excessivamente feliz, acho que fico embriagada da sensação. Não existe a menor possibilidade de esconder o sorriso meio bobo, os olhos brilhantes e a voz adoçada. Se fosse pra cantar, eu precisaria de doses homeopáticas de supra-felicidade antes dos shows.
Que seja doce. Doce recomeço, para novos sonhos.
Hoje ainda é terça e ainda faltam 4 dias pra sexta. Porque sexta ainda vai ter que acabar, pra daí eu matar a saudade.
Passa, semana. =]